Eu não falo de política?
Recentemente, o pessoal do Entreblogs tem discutido bastante política. Não discussão do tipo "mostrar quem está certo", mas discussão tipo "como que a gente vai fazer pra não cair no pior cenário possível?". Aparentemente, a posição política do pessoal do grupo é unânime. Pode ser só aparência devido a tempos nefastos, claro, mas é bom saber que estamos todos empenhados em não dar nenhum passo atrás.
Dito isso, alguém acabou comentando sobre como política é uma coisa que, muitas vezes, não falamos tanto sobre na blogosfera. Algo que meio que guardamos para as redes sociais, onde tem algoritmos que, dependendo do seu lado político, afoga ou aumenta a visibilidade dos seus posts. E enquanto é importante que continuemos falando e ocupando espaço nas redes com algoritmo, a questão que fica é: por que não falamos mais sobre isso em nossos blogs, onde não tem algoritmo ditando o alcance das nossas postagens?
Diante disso, fiquei me perguntando: eu não falo de política no blog? Porém, revendo as postagens anteriores, acho que minha posição política está clara como a luz do dia. Eu não cito nomes, não cito partidos, e isso é um descuido da minha parte, mas eu definitivamente falo sobre política.
Porque quando eu falo sobre livros com conteúdo erótico e defendo o direito da existência deles, eu falo sobre política. Porque todo mundo sabe que começa com a queima de livros (e, aparentemente, de universidades).
E quando eu falo sobre ser uma pessoa com uma deficiência invisível, eu falo sobre política. Porque quem decide o que é deficiência, quais corpos tem ou não o direito de participar da sociedade, de produzir, e de ter o produto de seu trabalho validado, é político.
Quando, na minha página sobre, eu me defino como mulher cis bissexual e exploradora da não-monogamia, eu falo sobre política. Porque o direito de amar e se relacionar, as formas com a qual as relações se constróem, o que é e o que não é família, tudo isso é político.
Então, sim, eu falo sobre política. Sempre. O tempo todo. A minha mera existência é política. A sua também.
E é por isso que, dia 25 de outubro, é 13 nas urnas. Para que possamos continuar falando de política, mesmo sem citar nomes, sem citar partidos (mas, de preferência, citando). Para que possamos continuar buscando direitos, saúde, educação. Para que possamos continuar amando os nossos, independente de gênero e de modelo de relação. Para que possamos continuar nos unindo dentro das formas que fazem sentido para nós.
Eu não sou PTista. Eu sou da esquerda radical. Mas, dia 25, é 13. É 13 para que, no futuro, possa ser algum outro partido que tenha mais a ver com meus ideais.