Em defesa da pornografia escrita (kinda)
Eu não sou de consumir pornografia. Não por ser puritana, mas talvez por estar mais perto do lado demissexual do espectro (embora não seja totalmente demi). De qualquer forma, pornografia não é uma coisa que está sempre no meu radar, mas também não é algo para o qual eu torço o nariz. Pelo contrário, se for feito de forma ética, acho que o erótico tem um valor imenso, especialmente em uma sociedade cada vez mais conservadora.
Onde eu quero chegar com isso é: deixem as pessoas lerem seus hots em paz, sabe? Desde que rolou aquela pataquada do Ghostface da Bienal, tenho visto cada vez mais youtubers/booktokers conservadores querendo falar mal de livros que tem cenas de sexo explícitas. Uns argumentos vindos direto da igreja católica de décadas atrás.
Eu tenho sim algo contra os famigerados dark romances, porque o que antes era um gênero interessante acabou se tornando um gênero que praticamente descreve cenas de abuso sexual e psicológico como se fosse algo sexy. Isso não me desce.
E eu não tô nem falando que não me desce descrições de sexo com violência. O que não me desce é a falta de consentimento presente nestes livros. É algo que me choca, de verdade: alguém realmente gostar de narrativas que colocam a falta de consentimento como algo sedutor.
Um dos pilares da comunidade BDSM é justamente o consentimento, sabe? Se um não quer, dois (ou mais) não brincam. Mas aí surgem livros que parecem querer propositalmente borrar esses limites, e fica difícil não pensar que o crescimento desse gênero não tem objetivos sinistros por trás.
Porém, também não aguento mais as pessoas colocando tudo no mesmo balaio. Havendo consentimento, tem mais é que ter obra de putaria sim, ou permitimos que essa onda conservadora acabe com tudo. Não estou dizendo que o erotismo é a arma principal para combater o avanço do conservadorismo, mas ele é sim um ponto de resistência que não podemos deixar morrer só porque existem frutas podres no meio.
Este texto não vale para a indústria pornográfica como um todo, que envolve pessoas reais e traz muitas questões acerca do que é consentimento a partir do momento que existe uma troca monetária. Estou falando aqui apenas de obras de ficção, com personagens fictícios.
Para finalizar, deixo esse vídeo, que foi o único que prestou sobre o assunto que vi nos últimos dias.