Linux não é só pra devs
Acho que a primeira vez que usei o Linux em um desktop foi lá por 2012 ou 2013, numa biblioteca na Noruega. Achei curioso que os computadores lá rodavam um sistema diferente, que hoje chuto que era o Ubuntu. Alguma coisa me chamou a atenção naquele sistema, apesar de eu não saber dizer direito o quê.
Eu sabia que se tratava de um sistema Linux porque, na minha cabecinha naquela época, as únicas opções de sistemas operacionais existentes eram Windows, MacOS e Linux. Hoje em dia eu sei que isso não é verdade, mas de qualquer forma, naquela época, eu coloquei na minha cabeça que eu queria tentar usar Linux algum dia.
Se você nunca usou Linux, você provavelmente tem a ideia de que ele é um sistema operacional para desenvolvedores em que tudo é feito a partir do terminal. Essa ideia não poderia estar mais errada, embora nada impeça que você seja um desenvolvedor que gosta de fazer tudo a partir do terminal. Cada um com seus fetiche, né?
Porém, eu sempre vi o Linux como uma alternativa para educação. Como meu primeiro contato foi em uma biblioteca, na minha cabeça já se criou a ideia de que o Linux era um sistema voltado para o aprendizado. O que também é mentira.
Porque a verdade é que o Linux é só um kernel, ou seja, algo que faz o gerenciamento dos recursos do sistema. Em outras palavras, ele é só o que faz o computador ligar e rodar. Muitas pessoas gostam de usar a analogia do motor de um carro: o Linux é esse motor que faz o carro andar, mas ele por si só não faz com que a experiência do uso seja completa.
É aí que entram as diferentes distribuições Linux (carinhosamente apelidadas de distros), que na analogia do carro, seriam os modelos de carro diferentes. Assim como existe carro para a cidade, carro para esporte e carro para a natureza, também existem distros Linux com focos bastante diferentes.
Algumas são, de fato, focadas em desenvolvimento. Outras são mais focadas em jogos (tanto que você encontra uma comunidade grande de gamers de Linux por aí). Já outras são focadas em educação mesmo, como eu havia pensado lá no passado.
Mas e se você for só um usuário comum, que gosta de usar o pc pra, por exemplo, ter um blog fofinho no Bearblog, jogar um The Sims vez ou outra, assistir uns dorama... Existe uma distro Linux pra isso? E a resposta é: todas.
Porque todas as distros Linux, mesmo aquelas "especializadas" em alguma coisa, servem pra fazer tudo isso que eu mencionei.
Você consegue instalar um navegador e acessar a internet em qualquer uma delas1, o que já resolve a questão de ter um blog, assistir uns vídeos no Youtube e Netflix. Além disso, você não precisa usar uma distro gamer pra conseguir instalar joguinhos, ainda mais se você for um jogador casual como eu que só joga uns The Sims, jogo de fazendinha e visual novel às veis.
A graça do Linux está justamente nisso: o sistema é extremamente livre para você fazer o que você quiser. Se você quer desenvolver um monte de coisa, tem como. Se você quer jogar, tem como também. Se quer só fazer um uso casual, também dá. E você não precisa de uma distro específica para isso; as distros especializadas são só distros que já vem com coisas instaladas e configuradas pra que você não precise instalar/configurar depois.
Por exemplo, as distros focadas em jogos geralmente já vem com a Steam pré-instalada, bem como diversos outros lançadores (launchers) populares para jogar no Linux, como o Lutris, o Heroic Launcher, entre outros. Além disso, muitas delas já fazem a instalação dos drivers certinhos das placas de vídeo para maior conveniência do usuário. Contudo, tudo isso pode ser instalado posteriormente em uma distro que não é focada em games, sem maiores problemas.
Se você é um usuário comum que faz o uso casual do computador e está pensando em migrar do Windows para escapar da Microslop, uma distro interessante de se testar é o ZorinOS. Ele foi pensado justamente para o usuário comum que quer fazer de tudo um pouco em seu computador. Como ele foi pensado justamente para pegar as pessoas migrando do Windows ou do MacOS, a curva de aprendizado é extremamente simples. Qualquer pessoa habituada ao Windows vai saber mexer no ZorinOS de forma bastante intuitiva.
Porém, se a sua pira é jogos, você tem uma grande variedade de opções. Se você não manja muito de computadores e não quer correr nenhum risco de fazer algo que não deveria quando mexe nas configurações, talvez uma distro como o Bazzite seja interessante. Já se você manja um pouco mais e gosta de brincar com o seu sistema, querendo ter liberdade total de fazer o que você quiser, o CachyOS pode ser seu novo sistema operacional. Outra distro que tem dado o que falar é o PikaOS, embora eu pessoalmente não a tenha testado.
Se você é dev, aí eu vou ficar te devendo. Não sou dev e, portanto, nunca testei nenhuma distro com esse propósito. Mas, se você é dev e está lendo sobre Linux pela primeira vez nesse post, shame on you!!!
Por fim, gostaria de dizer que o propósito desse post não é fazer você migrar para o Linux (embora seria um prazer se você desse uma chance após ler minhas palavras), apesar de que muitos dizem que 2026 é o ano do Linux desktop considerando a quantidade de usuários migrando. É um pouco aquele meme da Simone Tebet não para de subir nas pesquisas, sabe? Mas ainda é algo!
O verdadeiro propósito desse post é eu tagarelar sobre Linux e, de quebra, você deixar de lado um possível preconceito que você tem contra o sistema que tem se mostrado resistência em tempos de IA e falta de privacidade generalizada. ✨
Obrigada por ler minha tagarelice até aqui. Beijinhos.
Como para toda regra há uma exceção, é óbvio que uma frase generalista dessas não seria uma verdade absoluta. Existem distribuições muito muito muito específicas, como o caso do Ubuntu Server, cujo propósito é ser usada só pra manter um servidor, então não faz nem sentido você querer fazer um negócio desses numa distro dessas, né?↩