Leiturinhas pós-eleições
Enquanto algumas pessoas estão mais tranquilas depois da reeleição do Lula, eu ainda continuo um pouco tensa. Acredito que seja porque, pra gente que tá mais à esquerda ainda, a luta está longe de acabar. Os problemas que enfrentamos não foram magicamente solucionados com a vitória do Lula. Na realidade, essa reeleição soa mais como um começo de uma nova era do que uma vitória final.
Sendo assim, tenho lido bastante, especialmente das mídias independentes. Gostaria, então, de compartilhar alguns textos que achei interessantes ao longo do tempo.
A economia também é política
Publicado na A Pública (leitura gratuita) logo antes do segundo turno, este texto aborda como o discurso acerca da economia a coloca como uma força à parte, quase como um deus que precisa ser abrandado através das nossas escolhas nas urnas. Porém, como explica o texto, as contas que são feitas no campo da economia seguem premissas, e essas premissas podem mudar muito a depender da ideologia que se quer servir.
Ficou confuso? Confira o texto que fica mais fácil de entender: No próximo dia 25 de outubro, lembre-se que a economia também é política
Eleger Lula não basta, radicalizar é preciso
Durante esse segundo turno, imagino que vocês foram vendo pipocando nos grupos alguns vídeos interessantes de uma série chama Revelando. Este artigo, publicado também na A Pública (portanto, leitura gratuita), é uma entrevista com um dos editores da série Revelando, em que ele fala sobre como foi trabalhar com as mídias e os algoritmos durante a produção da série. Ele aborda a questão da influência das grandes corporações no editorial da mídia tradicional e sobre como precisamos radicalizar, ou até mesmo a comunicação livre deixará de existir.
Leia o artigo na íntegra: Eleger Lula não basta: “Se não radicalizar a gente não sobrevive”, diz editor do Revelando
O horizonte da esquerda pós-eleições
Publicado na 58º edição da Revista Liberta (requer assinatura), o texto aborda algumas dificuldades na disputa pela hegemonia (num sentido Gramsciano), como a meritocracia, o empreendedorismo, a individualização, entre outros. O texto aponta como os discursos da esquerda muitas vezes falham em considerar a subjetividade das pessoas acerca desses tópicos, de forma que elas podem se afastar dos ideais da esquerda. Mas o que mais achei interessante foi a parte que discorre sobre o inimigo: tendemos a ver as pessoas bolsonaristas como nossas inimigas, quando na realidade são nossos adversários, ou seja, "oponentes legítimos na disputa democrática". O inimigo real é comum a toda a classe trabalhadora: a acumulação do capital.
Leia o artigo aqui (lembrando que requer assinatura): O Horizonte de uma Esquerda Minoritátia
Eu li diversos outros artigos ao longo dessa última semana (e mais alguns dias), mas sinto que esses três foram os que mais me mercaram -- os outros, eu sinceramente nem lembro quais foram, nem em que portal estavam, então vou ficar devendo. Caso surja mais algum texto interessante nos próximos dias (ou semanas), atualizo este post com mais indicações!