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Eu sempre fui furry

Ok, vamos com calma. Eu não sou furry no sentido de pertencer à comunidade furry. Nunca tive nenhum contato com outra pessoa que se identifica como furry. Não sei nem o que tem que ser feito para ser considerado furry, pra ser sincera. Mas uma coisa é um fato: eu sempre gostei de bichinhos peludinhos e, mais que isso, eu sempre gostei de bichinhos peludinhos antropomórficos.

Vamos às provas.

Exhibit A. Quando criança, sempre que íamos na locadora de VHS, eu sempre pegava o mesmo filme. Meus familiares já estavam de saco cheio de me ver assistindo a mesma coisa sempre. E de gastar dinheiro alugando o mesmo filme pela milésima vez. E a pior parte: não era nem um filme bom. Era A Floresta Feliz, um média-metragem da Parmalat que fazia parte da campanha Mamíferos da Parmalat. Coisa antiga mesmo, gente, socorro. E a questão é que os personagens do curta-metragem nada mais eram do que crianças vestidas de bichinhos (todos mamíferos, obviamente).

Eu não sei dizer o que foi que me encantou nesse vídeo quando criança. Eu sei que eu amava e reassistia sempre que podia. Talvez no fundo eu só queria ser uma daquelas crianças agraciadas com a possibilidade de fazer o papel de um bicho em um filme produzido por uma empresa de laticínios.

Exhibit B. Trickster Online foi um MMORPG com gráfico bem colorido com estética bem anime, no qual os personagens jogáveis eram obrigados a usar orelhas e rabinhos de determinados bichos. O jogo tinha toda uma história de como cada um dos personagens foi parar na ilha de Caballa, onde estava acontecendo uma caça ao tesouro após a morte do dono da ilha. Ele foi oficialmente descontinuado em 2014, mas hoje em dia ainda existem servidores alternativos (if you know what I mean). Mesmo com uma história relativamente elaborada, o jogo falha em explicar porquê os personagens jogáveis (e muitos dos NPCs também) possuem orelhas e rabo de bicho, mas no fim a gente só aceita porque se encaixa muito bem na estética do jogo.

Trago este jogo como exemplo porque este é o MMORPG que mais marcou minha vida. Sim, mais do que Ragnarok ou qualquer outro que joguei ao longo da minha pré-adolescência e adolescência (incluindo o jogo no qual eu levei um webchifre, Perfect World). Não sei se é por causa dos gráficos, ou porque eu gostava das quests, mas eu desconfio que era por causa dos humanos-bichos mesmo. Afinal, eu adorava a ideia de ter um avatar digital que era uma gatinha, ovelhinha ou coelhinha, risos.


Com essas duas evidências, concluo que minhas tendências furry não são coisa nova. De fato, me acompanham desde os meus primeiros anos de vida, e acredito que me acompanharão até o fim (embora eu continue não tendo envolvimento com a comunidade furry e nem tenho interesse em ir atrás).

Eu entendo que isso pode ser um choque para quem me conhece pouco, mas para quem convive comigo, minha vontade de ser um bichinho peludinho não é nenhuma surpresa. O que não falta é postagem minha no Bsky falando que nada disso estaria acontecendo se eu fosse um bichinho peludinho...